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Sermão: A vida é um vapor
Como a vida é um vapor, devemos humilhar-nos diante de Deus e obedecer à Sua vontade. Tiago inicia uma nova secção, mas o tema que liga os capítulos 4 e 5 é a humildade. A verdadeira fé combate o orgulho através da humildade diante de Deus. Em 4:1-12, Tiago abordou a necessidade de humildade para resolver conflitos e manter relações harmoniosas. Agora, volta a sua atenção para a humildade em relação ao futuro. Confronta um espírito de arrogância que tinha observado nas igrejas. Embora estas pessoas professassem conhecer Cristo, viviam com uma atitude mundana a que o apóstolo João chama "a soberba da vida" (1 João 2:15). Faziam planos sem ter em conta a própria mortalidade e a soberania de Deus. Tal como o homem próspero da parábola de Jesus, diziam: "Construirei celeiros maiores para guardar os meus bens" e "Direi à minha alma: 'Alma, tens muitos bens em depósito para muitos anos; descansa, come, bebe e alegra-te'". "Mas Deus disse-lhe: 'Insensato! Esta mesma noite a tua alma te será pedida; e agora, de quem será o que preparaste?'" (Lucas 12:19-20). O Tiago apresenta quatro pontos: 1.º A vida é um vapor. Isto significa três coisas: A. A vida é frágil. Tiago escreve (4:13-14a): "Ora, vós que dizeis: 'Hoje ou amanhã iremos a tal cidade, passaremos lá um ano, faremos negócios e lucraremos'. Contudo, não sabeis como será a vossa vida amanhã". Ou, como o texto também pode ser lido: "Não sabeis o que vai acontecer amanhã". Não sabemos sequer o que vai acontecer daqui a dez minutos, muito menos amanhã ou no próximo ano! Estes empresários presumiam, arrogantemente, que acordariam no dia seguinte, que chegariam em segurança à cidade, que o seu empreendimento seria bem-sucedido dentro de um ano e que ninguém lhes roubaria os ganhos. Presumiam tudo isto sobre um futuro desconhecido, sobre o qual não tinham controlo nem garantias! Como disse, o jovem mais saudável entre nós poderia facilmente estar morto antes do anoitecer. Há tantas formas fáceis e inesperadas de morrer! Uma vez, realizei o funeral de uma menina de 11 anos que se queixou de dores de cabeça à mãe. A mãe disse-lhe para ir deitar-se. Deitou-se e morreu de aneurisma cerebral. Conhecíamos um jovem casal que servia na organização Campus Crusade. Saíram para um fim de semana de descanso. Ao sair da banheira de hidromassagem do motel, sentiu-se tonto e caiu, batendo com a cabeça na borda da piscina. Nunca mais saiu do coma. Numa tarde de domingo, há alguns anos, um homem na casa dos trinta anos, que frequentava a nossa igreja, estava a remover neve. A sua mulher olhou pela janela e viu-o caído no chão, morto vítima de um ataque cardíaco. Mais uma vez, pode argumentar que pensar nestas coisas é mórbido e deprimente. Não estou a sugerir que fique obcecado por estes assuntos. Mas, se nunca pensar neles, não viverá na devida dependência de Deus. Fará planos com arrogância e seguirá a vida como se fosse permanecer jovem e saudável para sempre. Tiago diz (4:16) que "toda a jactância como esta é maligna". B. A vida é curta. Um vapor tem vida curta. Vê-se a neblina num momento e, poucos minutos depois, desapareceu. Vê o vapor a sair da chávena de café e, em apenas um segundo, dissipa-se no ar. A vida é assim. No Salmo 90, Moisés lamenta a brevidade da vida. Compara a vida à erva do campo, que brota de manhã e, ao entardecer, já definhou sob o sol forte. Escreve (90:10): "Os dias da nossa vida chegam a setenta anos ou, para os mais fortes, a oitenta; contudo, o que têm de melhor é canseira e sofrimento, pois logo passam, e nós voamos". Mesmo que viva até aos cem anos, com que rapidez a vida passa! Um amigo meu costuma brincar dizendo que a vida é como um rolo de papel higiénico: quanto mais perto do fim se chega, mais depressa acaba! Pode não gostar da analogia, mas ela é verdadeira! É por isso que Moisés ora (90:12): "Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos um coração sábio". Só Deus me pode dar a sabedoria de que necessito para passar estes dias de forma proveitosa, à luz da eternidade. C. A morte é certa. As estatísticas sobre a morte são impressionantes. Uma em cada uma das pessoas morre. Poder-se-ia pensar que, dado que a morte não é apenas provável, mas absolutamente certa — e que pode ocorrer a qualquer momento, e que cada pessoa terá de comparecer diante de Deus para o julgamento —, todos estariam desesperados para saber como se reconciliar com Deus. Mas, estranhamente, as pessoas afastam esse pensamento e seguem a vida como se fossem viver para sempre. Conseguem assistir na TV à catástrofe do furacão Katrina, abanar a cabeça em descrença ao ver os corpos a boiar na água e sair para as suas rotinas diárias sem se prostrarem diante de Deus e se arrependerem dos seus pecados! É impressionante! Jesus ensinou-nos como pensar quando ouvimos falar de tais desastres. Algumas pessoas relataram-lhe o caso de certos galileus que Pilatos tinha massacrado. |